O que você precisa saber sobre a reabertura do Estreito de Ormuz?

20 de abril de 20265 min de leitura
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O que você precisa saber sobre a reabertura do Estreito de Ormuz?

Foto divulgada em 21 de julho de 2019 mostra petroleiro britânico "Stena Impero" próximo ao Estreito de Ormuz, no Irã. (Morteza Akhoundi/ISNA/Divulgação via Xinhua)

O Irã especificou três condições para a passagem das embarcações: elas devem ser comerciais e não militares, não ter ligação com países hostis e seguir rotas determinadas pelo Irã, com coordenação prévia com as autoridades iranianas, segundo a fonte.

Teerã, 18 abr (Xinhua) -- Embora o Estreito de Ormuz, uma hidrovia essencial para o abastecimento mundial de petróleo, tenha sido declarado totalmente aberto para embarcações comerciais, seu status operacional permanece contestado.

Tanto Washington quanto Teerã confirmaram na sexta-feira que o estreito estava completamente aberto para todas as embarcações comerciais. No entanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse na plataforma Truth Social que o bloqueio naval americano "permaneceria em pleno vigor". Em resposta, o Irã alertou que fecharia a hidrovia novamente caso o bloqueio americano continuasse.

As declarações conflitantes geraram dúvidas sobre se o estreito está realmente aberto. Destacamos abaixo os principais acontecimentos em meio à incerteza persistente.

MEDIDA BEM-VINDA

Na sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyed Abbas Araghchi, publicou no X que o Estreito de Ormuz está agora declarado completamente aberto para embarcações comerciais durante o restante do cessar-fogo.

"Em consonância com o cessar-fogo no Líbano, a passagem para todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está declarada completamente aberta durante o período restante do cessar-fogo", escreveu Araghchi.

No entanto, citando uma fonte próxima ao Conselho Supremo de Segurança Nacional, a agência de notícias semioficial Tasnim informou que, se os Estados Unidos mantiverem o bloqueio naval do Estreito de Ormuz, o Irã considerará isso uma violação do cessar-fogo entre os dois países e fechará a hidrovia.

A fonte disse que o Irã concordou inicialmente em permitir a passagem de algumas embarcações pelo estreito, de acordo com o plano de cessar-fogo mediado pelo Paquistão, mas suspendeu o acordo porque o cessar-fogo não estava sendo aplicado no Líbano e não abrangia o conflito entre o Hezbollah e Israel.

O Irã especificou três condições para a passagem das embarcações: elas devem ser comerciais e não militares, não devem ter ligação com países hostis e devem seguir rotas determinadas pelo Irã, com prévia coordenação com as autoridades iranianas, segundo a fonte.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, elogiou na sexta-feira o anúncio do Irã de que o Estreito de Ormuz está completamente aberto para todas as embarcações comerciais durante o cessar-fogo entre Israel e Líbano, disse seu porta-voz.

"O secretário-geral considera isso um passo na direção certa", disse Stéphane Dujarric, porta-voz, em um comunicado.

"O secretário-geral continua apoiando integralmente os esforços diplomáticos para encontrar um caminho pacífico para sair do atual conflito no Oriente Médio", disse o comunicado.

O presidente francês, Emmanuel Macron, também considerou o anúncio do Irã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz um passo na direção certa.

Ele anunciou ainda que uma missão neutra e independente será criada para garantir a abertura do Estreito de Ormuz.

Soldados iranianos patrulham o Estreito de Ormuz, no sul do Irã, em 30 de abril de 2019. (Xinhua/Ahmad Halabisaz)

SITUAÇÃO FRÁGIL

Embora o Irã tenha concordado em interromper a interrupção da navegação no Estreito de Ormuz, a situação continua frágil e complexa.

"O Irã concordou em nunca mais fechar o Estreito de Ormuz. Ele não será mais usado como arma contra o mundo!", escreveu Trump na Truth Social.

O presidente dos EUA disse que o bloqueio naval aos portos e navios iranianos permanecerá em vigor até que um acordo abrangente para encerrar a guerra seja finalizado.

"O bloqueio naval ao Irã está ajudando a chegar a um acordo. Não o suspenderei até que cheguemos a um acordo", disse ele.

Trump também disse que suspenderá o bloqueio somente depois que "nossa transação com o Irã estiver 100% concluída", acrescentando que estava otimista de que as negociações sobre um acordo mais amplo com Teerã "deverão avançar muito rapidamente".

A reabertura do Estreito de Ormuz provocou uma forte queda nos mercados de energia. O petróleo bruto West Texas Intermediate para entrega em maio despencou 10,84 dólares, ou 11,45%, fechando a 83,85 dólares o barril na Bolsa Mercantil de Nova York.

"Com o preço do petróleo se aproximando de 80 dólares por barril, isso é um avanço", disse Michael O'Hanlon, pesquisador sênior da Instituição Brookings, acrescentando que o cenário político, no entanto, continua incerto.

Para os políticos na Europa, algumas das declarações de Trump provavelmente alimentarão preocupações.

"Agora que a situação no Estreito de Ormuz acabou, recebi um telefonema da OTAN perguntando se precisaríamos de ajuda. EU DISSE A ELES PARA FICAREM LONGE, A MENOS QUE QUEIRAM APENAS CARREGAR SEUS NAVIOS COM PETRÓLEO. Eles foram inúteis quando precisamos, um tigre de papel!", disse Trump.

O secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsenio Dominguez afirmou na sexta-feira que a organização está verificando o anúncio do Irã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz.

Dominguez disse à Xinhua que a verificação está focada em "conformidade com a liberdade de navegação para todos os navios mercantes e a passagem segura utilizando o esquema de separação de tráfego estabelecido pela OMI".