Novo aeroporto internacional de Luanda evidencia avanço da cooperação China-Angola

6 de maio de 20263 min de leitura
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Luanda, 6 mai (Xinhua) -- Ao amanhecer, o Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto de Luanda, a capital de Angola, já está em plena atividade. Na zona terminal, Bruno Joaquim Vicente Maliche e a sua equipa iniciam mais um dia de trabalho de manutenção das instalações.

Maliche integra uma equipa com cerca de 300 profissionais responsáveis por assegurar o funcionamento do aeroporto. O trabalho vai da manutenção de equipamentos à gestão ambiental e abrange várias áreas essenciais para a operação diária.

Depois de viver e estudar durante nove anos na China, onde concluiu a licenciatura e o mestrado, Maliche regressou a Angola e passou a trabalhar na China National Aero-technology International Engineering Corporation (CAIEC).

Segundo ele, os conhecimentos adquiridos no país asiático são hoje aplicados de forma direta no aeroporto. A experiência também o ajudou a se adaptar melhor a contextos multiculturais e a reforçar as suas competências profissionais.

Como um dos principais projetos de infraestrutura de Angola, o novo aeroporto de Luanda foi financiado por parte chinesa, concebido segundo padrões chineses e construído pela CAIEC.

O complexo reúne zona terminal, área de voo e área de carga, com capacidade anual prevista para 15 milhões de passageiros e 130 mil toneladas de carga. Atualmente, o Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto já concluiu a transferência de todos os voos internacionais.

Maria Engrácia Sala Paredes, diretora executiva de engenharia e infraestruturas da ICB-URBE, empresa responsável pela operação e desenvolvimento do novo aeroporto, afirmou que a infraestrutura é essencial para reforçar a capacidade aérea do país e apoiar o crescimento das rotas domésticas, regionais e intercontinentais, com o objetivo de transformar Angola num polo regional de aviação e logística e contribuir para a diversificação da economia.

Durante a construção, surgiram diferenças entre as equipas chinesa e angolana em normas técnicas, sistemas de gestão e contexto cultural.

Jiang Shan, gerente-geral da filial angolana da CAIEC, explicou que o projeto seguiu principalmente normas chinesas, com adaptação a padrões locais e europeus, por meio da integração de interfaces e soluções técnicas que permitiram a articulação eficiente entre diferentes sistemas.

"Como participaram muitas entidades na execução, a coordenação organizacional e a integração de múltiplos padrões foram os maiores desafios", disse Jiang, acrescentando que o diálogo contínuo e o aperfeiçoamento das soluções permitiram alcançar uma operação estável em todos os sistemas.

No funcionamento do aeroporto, os sistemas de tecnologia da informação desempenham um papel central. Duo Zhaodong, responsável pela tecnologia da informação de operação aeroportuária da empresa, explicou que os sistemas do aeroporto, como informação de voos, comunicação, segurança e telecomunicações, são essenciais para o funcionamento seguro e eficiente.

"O nosso objetivo é garantir que estes sistemas funcionem de forma estável e ininterrupta", disse Duo. Por meio de formação técnica e prática operacional, a equipa chinesa tem reforçado as capacidades dos trabalhadores locais, promovendo uma operação sustentável a longo prazo.

Para Paredes, num setor da aviação marcado por grande abertura internacional, os sistemas técnicos de diferentes países são compatíveis, e a combinação entre a experiência chinesa e os padrões internacionais oferece uma base sólida para o projeto. "As empresas chinesas trouxeram experiência e capacidade de inovação, o que é muito importante para a construção", disse. 

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