Nova política chinesa de tarifa zero para África oferece futuro compartilhado em um mundo fragmentado

1 de maio de 20267 min de leitura
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Beijing, 1º mai (Xinhua) -- China começou a implementar na sexta-feira o tratamento ampliado de tarifa zero sobre as importações de todos os 53 países africanos com os quais tem relações diplomáticas, um movimento histórico considerado para promover a abertura e cooperação para o Sul Global em meio ao crescente protecionismo e fragmentação na economia global.

Com 24 toneladas de maçãs sul-africanas entrando na China pela alfândega de Shenzhen nas primeiras horas desta sexta-feira como o primeiro carregamento sob a nova iniciativa em vigor, a China se tornou a primeira grande economia do mundo a conceder unilateralmente isenção de tarifa a todas as nações africanas com laços diplomáticos.

Ao oferecer acesso total ao mercado sem exigir concessões recíprocas, a China está estabelecendo uma nova referência para apoiar a industrialização no Sul Global, observou Ricky Mukonza, professor associado da Universidade de Tecnologia de Tshwane, na África do Sul.

COMPROMISSO PIONEIRO E "MARCO DE OURO"

A China já havia eliminado as tarifas em 100% das linhas tarifárias para importações de 33 países menos desenvolvidos (PMDs) da África desde 1º de dezembro de 2024.

Sob a nova política, de 1º de maio de 2026 a 30 de abril de 2028, a China concederá tratamento de tarifa zero, na forma de uma alíquota tarifária preferencial, a 20 países africanos não-PMDs que estabeleceram relações diplomáticas com a China, conforme a Comissão de Tarifas Aduaneiras do Conselho de Estado.

O Ministério do Comércio afirmou em comunicado que a medida mais recente da China criará oportunidades em várias frentes, acrescentando que as tarifas zero reduzirão o custo dos produtos africanos que entram no mercado chinês e lhes darão uma vantagem competitiva.

Conforme o ministério, as tarifas zero também devem ajudar a impulsionar a diversificação dos produtos de exportação africanos, aumentar seu valor agregado e otimizar as estruturas de exportação, o que beneficiará os agricultores, bem como as micro, pequenas e médias empresas, apoiará a criação de empregos e melhorará os meios de subsistência das pessoas.

O ministério também espera que a política de tarifa zero promova ainda mais a cooperação China-África em áreas que abrangem comércio de serviços, comércio digital, indústrias verdes e desenvolvimento sustentável, o que será propício para aumentar a capacidade da África para o desenvolvimento independente e acelerar seu processo de modernização.

O presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, saudou a medida como "muito oportuna" para um continente que sofre o peso das crises globais e está vulnerável ao isolacionismo.

"Gostaria de expressar, em nome da Comissão da União Africana, nossa sincera gratidão por este gesto muito fraterno que todos os africanos apreciam", disse Youssouf à imprensa na semana passada.

"A política é um forte sinal do compromisso de longo prazo da China com o desenvolvimento da África", disse Mukonza. Ele a descreveu como um marco significativo na cooperação Sul-Sul que fortalecerá a confiança em todo o continente.

A medida contrasta fortemente com a crescente onda de unilateralismo e protecionismo globalmente. "Enquanto algumas regiões estão se voltando para o protecionismo, a abordagem da China oferece uma alternativa baseada na abertura e cooperação", disse Mukonza.

A China é a maior parceira comercial da África. Conforme a Administração Geral das Alfândegas da China, o comércio China-África atingiu um recorde de US$ 348 bilhões em 2025. Enquanto isso, as importações da China provenientes da África totalizaram US$ 123 bilhões, um aumento anual de 5,4%. No primeiro trimestre de 2026, o comércio bilateral testemunhou um aumento de 23,7% em termos anuais, com as importações chinesas crescendo 14,6%.

De janeiro a fevereiro, o novo investimento direto da China na África aumentou 44% ante o mesmo período do ano passado, de acordo com Du Xiaohui, diretor-geral do Departamento dos Assuntos Africanos do Ministério das Relações Exteriores.

Du chamou a medida de tarifa zero de "marco de ouro" para a cooperação China-África na nova era, destinada a se tornar um motor duradouro para o desenvolvimento de alta qualidade das relações bilaterais.

"A eliminação das tarifas reduz o risco para os exportadores e envia um forte sinal de que o mercado chinês é estável e oferece oportunidades de longo prazo para as marcas africanas", disse Mukonza.

ABRINDO OPORTUNIDADES, ACRESCENTANDO CERTEZA

Especialistas afirmam que a política de tarifa zero deverá catalisar a modernização industrial e agrícola da África. Ao reduzir os custos para as exportações africanas, ajudará a reequilibrar os fluxos comerciais, diversificar as exportações africanas e posicionar o vasto mercado chinês como um destino mais atraente para produtos africanos de maior valor agregado.

No salão de exposição permanente da Exposição Econômica e Comercial China-África em Changsha, capital da Província de Hunan, no centro da China, mais de dois mil tipos de produtos especiais africanos estão em exibição, variando de café e especiarias a artesanato, entre outros.

"Com a política de tarifa zero, os custos de desembaraço aduaneiro para mercadorias africanas cairão significativamente, e o acesso ao mercado será ainda mais facilitado", disse Yang Yi, gerente-geral da operadora do salão de exposição, Hunan Yufei Industry Investment Co., Ltd. Ele antecipa um fluxo estável de produtos africanos premium para o mercado chinês, enriquecendo a escolha do consumidor.

Empresas chinesas estão aproveitando ativamente a nova política para construir cadeias de suprimentos transfronteiriças integradas. Li Huanguo, presidente da Jingzhou Guoling Technology Co., Ltd., planeja importar três mil toneladas de Poria cocos da República do Congo em três anos.

"Contando com a política de tarifa zero, trabalharemos com o lado congolês para construir bases de plantio demonstrativas e criar uma marca de saúde de Poria cocos na África", disse ele, destacando um modelo de sinergia industrial.

Lan Shengbin, vice-diretor da Alfândega de Changsha, disse que a política trará múltiplos impactos positivos. Espera-se que se expanda a importação de produtos agrícolas africanos de alta qualidade, como nozes de macadâmia da África do Sul e abacates frescos do Quênia, de acordo com Lan.

Zhao Yongsheng, pesquisador da Universidade de Economia e Negócios Internacionais, descreveu os benefícios tangíveis e mutuamente vantajosos das tarifas zero como a manifestação da comunidade China-África sob todas as condições com um futuro compartilhado para a nova era.

"O 'efeito multiplicador' da política se reflete em múltiplos níveis", disse Zhao. No curto prazo, impulsiona o emprego e a renda na África. No médio prazo, promove a industrialização por meio de investimento e transferência de tecnologia. No longo prazo, ajuda a cultivar o poder de consumo africano, contribuindo, em última análise, para um sistema de comércio global mais equilibrado.

Wang Xuekun, chefe da Academia Chinesa de Cooperação Comercial e Econômica Internacional do Ministério do Comércio, disse que a medida mais recente marca uma nova etapa na cooperação econômica e comercial China-África, transitando de "abertura unilateral" para "empoderamento institucional".

Também incorpora uma ação pragmática pelos países em desenvolvimento do Sul Global para explorar caminhos de desenvolvimento independentes, acrescentou Wang, observando que isso também acrescenta certeza à economia global.

A China vem aprofundando a reforma e abertura de forma abrangente com compromisso inabalável. O país expandiu a abertura unilateral, adotando tarifas zero sobre todos os produtos de todos os PMDs com os quais tem relações diplomáticas, conforme o relatório de trabalho do governo do ano passado.

A China se abrirá mais para o mundo. O país expandirá o acesso ao mercado e abrirá mais áreas, particularmente no setor de serviços. O país expandirá ainda mais os testes de abertura para serviços de telecomunicações com valor agregado, biotecnologia, hospitais de propriedade totalmente estrangeira e outros campos, dará passos bem ordenados para expandir a abertura no setor digital e encurtará a lista negativa para o comércio transfronteiriço de serviços, de acordo com o relatório de trabalho do governo divulgado em março deste ano.