Rio de Janeiro, 29 abr (Xinhua) -- O governo brasileiro anunciou nesta quarta-feira um acordo com a Alemanha para o desenvolvimento de um satélite projetado para monitorar as emissões de gases de efeito estufa.
O acordo, assinado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), juntamente com seus homólogos alemães, representa um passo fundamental na cooperação técnica e científica entre os dois países no setor espacial.
A iniciativa envolve o desenvolvimento da missão espacial CO2Image, que terá como objetivo detectar e quantificar as emissões de dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4) em escala global, com capacidade para identificar fontes de emissão a partir de um milhão de toneladas por ano.
O novo satélite contará com um sensor de alta precisão capaz de atingir uma resolução espacial de até 50 metros, uma melhoria significativa em relação às tecnologias atuais, que operam com resoluções em torno de 2 quilômetros. Essa atualização permitirá um monitoramento mais detalhado das emissões e contribuirá para o aprimoramento dos inventários nacionais de gases de efeito estufa.
Segundo o acordo, o Brasil será responsável pelo desenvolvimento do módulo de serviços do satélite, baseado na plataforma P100, uma tecnologia multimissão projetada para satélites menores, oferecendo maior flexibilidade e custos reduzidos. A Alemanha será responsável pela carga útil do sistema, enquanto o segmento operacional será compartilhado entre os dois países.
O projeto faz parte do Programa Nacional de Atividades Espaciais do Brasil e reforça a estratégia do país de fortalecer sua autonomia tecnológica no setor, baseando-se em mais de quatro décadas de experiência em engenharia espacial.
Especialistas do INPE destacaram que a missão melhorará a qualidade dos dados de emissões, com aplicações diretas em setores produtivos como a indústria de petróleo e gás, além de apoiar políticas públicas relacionadas às mudanças climáticas.
O acordo também fortalece a colaboração entre instituições científicas dos dois países, incluindo o Centro Aeroespacial Alemão (DLR), e está alinhado aos compromissos climáticos internacionais do Brasil.
Com essa iniciativa, o Brasil busca expandir sua capacidade de monitoramento ambiental e se posicionar como um ator-chave no desenvolvimento de tecnologias espaciais aplicadas à sustentabilidade e ao combate às mudanças climáticas.

