Brasil abriga mais de 2 milhões de imigrantes e refugiados, segundo relatório oficial

1 de maio de 20263 min de leitura
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Rio de Janeiro, 30 abr (Xinhua) -- O Brasil abriga mais de 2 milhões de imigrantes internacionais, incluindo residentes temporários, refugiados e solicitantes de asilo, de quase 200 nacionalidades, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira pelo governo federal.

De acordo com o estudo, os maiores grupos de migrantes no país são venezuelanos, haitianos, cubanos e angolanos. A população venezuelana, sozinha, chegou a aproximadamente 680 mil pessoas no início de 2026, predominantemente mulheres e crianças.

O relatório, elaborado pelo Observatório de Migração Internacional e apresentado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, visa orientar a implementação da nova Política Nacional de Migração, Refugiados e Apátridas, adotada no final de 2025.

O documento destaca que o Brasil tem fortalecido seu perfil como país de acolhimento, com políticas baseadas em direitos humanos, cooperação internacional e responsabilidade compartilhada. Nesse sentido, representantes de organizações internacionais enfatizaram a importância de se dispor de dados públicos atualizados para enfrentar os desafios da mobilidade humana.

No setor trabalhista, o relatório indica que o fluxo de trabalhadores migrantes para o mercado formal cresceu 54% entre 2023 e 2025, ultrapassando 414 mil empregos com contratos no último ano. A maioria desses trabalhadores está concentrada em atividades industriais.

Da mesma forma, os pedidos de autorização de trabalho no Brasil aumentaram 68% entre 2022 e 2024, refletindo uma maior demanda por mão de obra estrangeira em um contexto de altos níveis de emprego.

Por nacionalidade, os venezuelanos lideram o emprego formal, com mais de 201 mil trabalhadores registrados, seguidos por haitianos e cubanos.

Contudo, o estudo alerta que uma parcela significativa de imigrantes com ensino superior ocupa empregos de baixa qualificação, o que limita sua renda e sua plena integração econômica.

Na área de proteção social, o número de migrantes inscritos em programas sociais também apresentou um aumento significativo. Entre 2023 e 2024, o número de registros aumentou de 562.687 para 650.683 pessoas, predominantemente mulheres.

O relatório também destaca o aumento do número de crianças e adolescentes migrantes no sistema de assistência social, demonstrando a consolidação das famílias migrantes no país e a necessidade de fortalecer as políticas de educação e proteção à infância.

Na área da educação, o número de estudantes imigrantes no ensino básico e técnico aumentou 437% entre 2010 e 2024, enquanto no ensino superior o crescimento foi de 77,5%.

Apesar desses avanços, o documento aponta desafios relacionados à inclusão linguística, à adaptação pedagógica e à capacidade dos sistemas educacionais de atender a essa população.

Por fim, o relatório ressalta a necessidade de melhorar a coordenação entre os diferentes níveis de governo para garantir o apoio adequado aos migrantes em todo o país, bem como de ampliar as políticas de acolhimento e integração.