Apresentação de soprano e violonista brasileiros encanta plateia chinesa

1 de maio de 20263 min de leitura
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Por Liu Long, correspondente da Xinhua

Beijing, 30 abr (Xinhua) -- Os espectadores aplaudiram calorosamente após a conclusão de músicas clássicas chinesas como "Eu Te Amo, China" e "Minha Pátria", só que a cantora é uma soprano brasileira. Esta é uma cena acontecida nesta quinta-feira no concerto "Do Yangtzé ao Amazonas", na Casa de Ópera Nacional da China, em Beijing.

Marília Vargas, uma das vozes brasileiras com presença mais recorrente na China, apresentou pela primeira vez ao público chinês a música "Minha Pátria" após sua interpretação em mandarim na frente do Palácio de Alvorada, em Brasília, onde o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva organizou uma grande e calorosa cerimônia de boas-vindas ao presidente chinês, Xi Jinping, em novembro de 2024.

"Visitei Beijing pela primeira vez em 2004 e depois voltei todos os anos até 2019, (a China) mudando muito a cada ano. Me apaixonei pela China. Senti a necessidade de vir, para conhecer a cultura, as pessoas e a música," disse Marília.

O programa do evento reúne obras de compositores brasileiros como Heitor Villa-Lobos, Waldemar Henrique, Chiquinha Gonzaga, Francisco Mignone e Marco Pereira, além de canções chinesas que prestam homenagem ao Yangtzé e à pátria.

Reconhecida internacionalmente, a soprano tem mantido há mais de duas décadas uma relação contínua com a China, onde desenvolve uma atuação que vai além dos palcos, com concertos, masterclasses e atividades pedagógicas em diversas cidades como Beijing, Hangzhou, Chongqing, etc.

"Comecei a cantar músicas chinesas mais ou menos em 2008. E faço parte de um grupo de música tradicional chinesa lá no Brasil, ´Gao Shan Liu Shui´, com instrumentos tradicionais chineses como Er Hu, Yang Qin, tocados só por brasileiros. O grupo já existe por quase quinze anos, então é uma amizade de longo prazo, com raízes profundas", contou ela.

No final de março, a Embaixada do Brasil na China anunciou a programação confirmada do ano cultural entre os dois países. A agenda durará ao longo do ano em Beijing e abrangerá múltiplas expressões artísticas e culturais, incluindo artes cênicas, artes visuais, música, patrimônio cultural imaterial, audiovisual, diversidade cultural, juventude, formação, turismo e inovação.

Integrando a programação da iniciativa, a soprano Marília Vargas e o violonista Fábio Zanon estão realizando uma turnê de nove apresentações pela China e pelo Brasil no âmbito do Ano Cultural China-Brasil 2026.

"Acho que este ano (cultural) é muito importante, como uma semente para plantar essa conexão mesmo entre o Brasil e a China, não só comercial, mas também mais profunda da cultura. Somos povos que gostam de música e tem música correndo nas veias, este é o ponto comum entre os brasileiros e chineses", disse ela.

"A música não tem fronteiras, assim como nossa amizade não tem fronteiras, tudo junto. A China é longe mas é perto também", afirmou.

Na China, os concertos acontecem entre 23 de abril e 2 de maio, passando pelas cidades de Shanghai, Hangzhou, Beijing e Chongqing e no Brasil, as apresentações estão previstas para agosto, no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.